O futuro dos profissionais de RH

Certa vez, em meados de 2009, me foi perguntado por um aluno qual seria o futuro dos profissionais de Recursos Humanos.

Lembrei-me que este foi o primeiro tema escolhido para a Monografia que realizei um uma Pós Graduação concluída em 2003.

Como não era tão antigo, pensei em colher o texto e encaminhar ao aluno para que ele pudesse se aprofundar um pouco mais no assunto, caso fosse essa sua vontade.

Foi então que me dei conta de que a velocidade das mudanças é algo muito mais impressionante do que eu imaginava.

A Monografia realizada em 2003 (menos de dez anos) está absurdamente desatualizada para os padrões atuais, por isso decidi escrever este artigo, fazendo um comparativo entre o antes e o depois da vida dos profissionais de recursos humanos.

O que se pregava anteriormente era que o profissional de RH deveria se especializar em um subsistema e nele se “instalar”, sendo referência no assunto, absorver o maior número de informações e, quando fosse solicitado, procederia com as explicações necessárias.

Hoje, o profissional que busca especialização, tem de ter primeiramente uma visão generalista do departamento. Nada contra conduzir seus esforços para um foco específico, mas a necessidade de profissionais polivalentes é a cada dia mais solicitada pelas organizações. O que se valoriza são profissionais que busquem o constante aprimoramento do conhecimento.

Algum tempo atrás o conceito de eficiência e eficácia era um modismo exagerado. Se você fosse um profissional eficiente e ainda por cima desempenhasse seu trabalho com eficácia, era merecedor de uma medalha de honra ao mérito.

Agora, se você não estiver incluído em uma Comunidade de Prática, ou seja, encontrar um grupo de pessoas interessadas em adquirir conhecimento e que se reúnam para trocar informações e criar novos conceitos, você é considerado alienígena empresarial.

Antigamente o profissional que se portava como filósofo, gastando boa parte de seu tempo agrupando informações para poder aplicá-las em determinadas situações, era considerado exemplo de maturidade profissional.

Atualmente se você gasta mais do que 10% de seu tempo buscando informações, entende-se que estas estão mal distribuídas ou mal estruturadas e uma verdadeira avalanche de interrogações são levantadas buscando acertar o processo.

Não era raro encontrar nas empresas um “guru” que tinha todas as respostas, aquele profissional com anos de experiência que sabia responder a todas as perguntas e se não soubesse, sabia indicar quem poderia ajudar.

Essa centralização não é bem vista atualmente. O grande desafio das organizações é transformar o conhecimento individual em coletivo: a palavra chave é trabalho em equipe. A empresa não pode ser “refém” de uma única pessoa, é preciso que o conhecimento circule livremente pelos corredores.

O departamento de RH era blindado, toda e qualquer ação era primordialmente questionada ao RH para que este desse sua ratificação ou se posicionasse de forma contrária, oferecendo a medida correta à ser aplicada.

Nos dias de hoje, RH deve ser antes de tudo um fio condutor das mudanças organizacionais. Não é mais possível apontar o dedo para as outras áreas e dizer: “Seja feita a minha vontade”. É preciso interagir entre as áreas e buscar integrá-las, na chamada Gestão por Indicadores.

Esses desafios continuarão a ocorrer e certamente daqui a algum tempo outro artigo deva ser escrito para atualizar as competências necessárias do profissional de Recursos Humanos.