Opinião: Seleção de Pessoas

Hoje gostaria de falar sobre Seleção de Pessoas. Existe até um sub sistema de Recursos Humanos especializado para este fim, Recrutamento e Seleção.

Não sou formado em Psicologia e não quero aqui me estender a nenhuma técnica, seja simples ou avançada. Quero simplesmente falar de atitudes.

E, para falar sobre atitudes, vou deixar uma pergunta, no sentido de provocar uma reflexão.

Mas antes, para melhor visualização da questão, vamos criar uma situação:

“Você (responsável pela área de Seleção), recebe a incumbência de contratar um Gerente de Vendas para a empresa em que trabalha. Após colher as informações pertinentes ao cargo e as necessidades da área solicitante, você recorre a um Banco de Dados (próprio ou terceirizado), faz uma triagem e recruta alguns candidatos para realização de uma Dinâmica de Grupo. No dia e hora marcados, você entra na sala e encontra os quarenta candidatos que você recrutou”.

É a partir deste cenário que deixo minha questão: Neste momento, existe algum pré-julgamento do selecionador sobre os candidatos?

Espero em Deus que sua resposta tenha sido negativa, porém em algumas empresas essa resposta é, para meu desespero, positiva.

Imaginem a situação: “Você recebe um convite para participar de um processo seletivo, é uma vaga urgente e você gostaria muito de participar, o convite indica que o processo ocorrerá, impreterivelmente, na data de hoje às 14:00 horas, sem possibilidade de remarcação. Coincidentemente que você está em viagem e seu vôo chegará as 13:00 e a empresa fica próxima ao Aeroporto. Você decide participar, afinal, é uma oportunidade pela qual você sempre esperou. Chega até a empresa e se apresenta, é encaminhado à selecionadora, preenche uma Ficha de Emprego e logo depois é dispensado com a famosa frase mecânica: 'Muito obrigado pela presença, analisaremos seu CV e qualquer novidade entraremos em contato'. Você se retira e fica aguardando, pela eternidade”.

E você se pergunta até hoje: Onde foi que eu errei?

E eu lhe respondo: Sua gravata não combinava com seu terno, ou seu cabelo não estava esculpido com gel, ou pior, você não tinha cabelos, ou usava óculos, ou seu sapato tinha o salto muito baixo, ou sua bolsa não combinava com seu sapato, ou então sapatênis e calça jeans não é roupa apropriada para entrevista, ou bla, blá, blá...

Você foi vítima de PERCEPÇÃO SELETIVA.

Este tipo de prática acontece quando alguma característica se sobressai a qualquer outra, não damos conta de em um único momento perceber tudo, então nos prendemos em detalhes. Isso é comum.

O problema é quando ocorre mediante algo pré-determinado, quando o selecionador já vem com uma imagem moldada na mente. Isso não é comum, é extremamente absurdo.

Algumas pessoas responsáveis por seleção chamam isso de feeling. Correto, sabemos que isso existe, mas pergunto: É possível estabelecer feeling por alguém só pelo branco dos olhos, ou pela cor da camisa que o candidato está utilizando, ou pela cor de batom que a candidata escolheu?

É inadmissível que isso ainda aconteça nas empresas, e podemos criar algumas perguntas e essas não precisam de cenários para resposta, pois podem ser mensuradas facilmente.

- Imaginem quantos talentos não são desperdiçados por esta prática absurda?

- Imaginem quanto não se gasta em novos processos seletivos, pois o candidato contratado era perfeito (bem alinhado, perfume na medida, etc) mas não tinha os mesmos valores da empresa e após três meses pediu demissão?

- Imaginem quanto tempo não é desperdiçado com treinamentos e integrações de funcionários que depois de todo processo vão para o concorrente, afinal na seleção tinham uma linda gravata, mas uma fraca identidade com a empresa e só buscava uma colocação provisória?

Reflexão, esta é a palavra. Selecionar pessoas é mesclar competências (pessoais e organizacionais), é descobrir talentos que farão a diferença em um ambiente corporativo tão agressivo como o atual, é alocar a melhor mão de obra do mercado por um preço justo, é triar em uma imensidão de possibilidades a expertise e a eficácia necessária para seu negócio.

Se este “recurso” é utilizado apenas pela equipe de Seleção, dos males o menor, um treinamento resolve a questão, pior será se a prática for conhecida e apoiada pela empresa, então o caso se torna mais complexo, exigindo até uma revisão da cultura organizacional.

Seleção de pessoas não deve ser a busca de candidatos com perfil para um ensaio fotográfico.

Leandro Machado
Palestrante e Consultor
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07/10/2010