O Som do Coração

O Som do Coração

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Ou deveria dizer, "O Som que Emana do Coração, da Alma, da Essência"? Digo isso para traduzir o espírito, a idéia principal deste enredo.

Sem dúvida, o título em português, que em muitas traduções nos decepciona, neste caso é extremamente representativo. O SOM que vem do Coração é o fascinante mundo humano, e seu mistério intrínseco.

Nota-se, entretanto, que o "Som", nesta história, não é a música em si. Esta é, sim, apenas o canal encontrado para externar o que de mais poderoso há em cada um de nós. E, assim, em cada um pode ser representado de forma diferente: pela música, pela escrita, pela pintura, pela escultura, ou pelo esporte, pelo relacionamento, pela vontade de mudar o mundo.

Se você tem afinidade musical, por questões óbvias, pode encontrar uma identificação maior o filme. Porém, isto não é determinante.

Ao assistir a este longa-metragem, pode-se envolver-se com a ideia de que há um certo exagero na evolução musical estupenda apresentada pelo pequeno Evan, personagem central. Não condeno quem assim pensar, nem é intenção deste comentário trazer juízo de valor. Mesmo porque, se considerarmos sua impressionante evolução técnica, essa dúvida é extremamente pertinente. Apenas por contraponto, vale refletir: do que não é capaz um ser humano que canaliza, durante 11 anos, toda a sua força interior para externá-la de um único e claro modo? E, também, para os mais "concretos", Mozart fez suas primeiras composições aos 5 (isso mesmo, cinco) anos de idade.

Mas o que vale este comentário, aqui, não é esta discussão de habilidade técnica, e sim as ideias que o filme nos traz. Mesmo porque, lembremos, é um filme, e, como tal, tem o direito de ser o quão fantasioso ele quiser ser.

Em ideias, conceitos, há uma questão maior do que o explícito poder da vontade humana, do coração, da alma, da intuição. Há a questão da mente aberta.

Uma mente aberta tem um poder extraordinário. É por isso que constantemente nos surpreendemos com as crianças. Elas são livres de padrões e preconceitos. Muitas vezes, se não em todas, a inocência é o veículo em alta velocidade nesta estrada ampla e livre. Vamos ao filme como exemplo: o pequeno Arthur é um belo artista, empolgante, impressionante, um talento raro, sem dúvida. Afinal, quantos garotos conseguem tocar um violão quase maior que ele próprio, com tanta habilidade, em público, cantando (muito bem) e ainda lidando com a frustração cotidiana dos resultados obtidos? Ora, é um talento nato.

Sem dúvida o é. O que está em questão aqui é não é o conceito de talento em si, mas sim o conceito de talento organizacional. Este é aquele capaz de juntar seus pontos mais fortes à obtenção de resultados.

Não estou dizendo para eliminar todos os "pequenos Arthur" das organizações.

Pelo contrário. Ele representa a falta de treinamento, direcionamento, que é outro assunto rico a tratarmos em uma próxima ocasião. Aqui pensamos nos motivos desta diferença.

Por que Evan, ou August, consegue os resultados? Porque ele é capaz de unir suas maiores competências (pontos fortes) à sua mente aberta. Com isso, ele cria uma técnica própria, um algo a mais, um diferencial em um mundo de tanta concorrência, que cansa os "Clientes" de tanta mesmice.

É quando o TALENTO deixa de ser criativo e passa a ser INOVADOR.

Inovação não é um assunto da moda, apenas. Quer dizer, assim o é para aqueles que não conseguiram ainda entender sua essência. Assim como assistir a esse filme. É fácil assisti-lo e deixar passar despercebido o seu fundamento, seu motivo de criação, no contexto romântico e nos acontecimentos que a própria coincidência duvida. Mas, quem quiser transformar este simples ato de passividade, pode interagir de forma profunda com sua história.

E este é apenas um alento para despertar essa ATITUDE.

Por: Bruno Mathias (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)