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Opinião: De Novo Comigo?

Mais uma vez venho falar das “façanhas” organizacionais.

Por acaso você já encontrou pessoas em seu ambiente organizacional que reagem negativamente a todos os acontecimentos?

Certamente não, pois esse tipo de comportamento se aplica somente em países desenvolvidos da Europa, aqui no Brasil não somos pessimistas, somos um povo corajoso que não desiste nunca, não é mesmo?

Pois é, não desistimos nunca, mas isso por que às vezes nem tentamos.

Em minha trajetória profissional tive a oportunidade de “cruzar” com alguns destes profissionais “importados” e para minha felicidade tive também a oportunidade de coordenar seus trabalhos.

Dizem que a felicidade vem aos poucos, geralmente em gotas e que é preciso paciência para encher o pote. Só não disseram que é preciso muita força para extrair estas gotas.

Vejamos alguns exemplos:

  1. Segunda-feira, 09:00 da manhã, você entra no escritório e diz um sonoro “BOM DIA!!!”, o humano(a) levanta os olhos e diz “oi”, você então se aproxima e pergunta: “Algum problema?” e a pessoa lhe responde: “Estou cansado (a)”. E você pensa: “Mas em plena segunda-feira às 09:00?”;
  2. O(A) humano(a) vive reclamando que ganha pouco e que precisa de um aumento, você se esforça e consegue uma promoção e um acréscimo em seu salário, anima-se e vai dar as boas novas, é quando a criatura lhe diz: “Xi, já sei, isso é sinônimo de mais trabalho”;
  3. Tudo corre bem no departamento, repentinamente estoura um problema, o(a) humano(a) é o(a) primeiro(a) a falar: “Não fui eu”, e o(a) último(a) a apresentar uma proposta de solução;

Será que temos exemplos assim no Brasil? É claro que sim, as empresas estão recheadas com profissionais deste tipo e isso é uma questão cultural.

O brasileiro é mestre especialista em colocar-se na posição de vítima, esse comportamento vem desde a época do descobrimento do Brasil e tem diversas razões que devem ser exploradas pessoa por pessoa para se chegar a um resultado satisfatório, que é exorcizar este “espírito acomodado”.

Ensinaram-nos desde pequeno a obedecer os mais velhos e os mais fortes, já nos incutindo que éramos fracos e que sempre existe alguém acima de nós. Isso forma uma cadeia de pensamentos viciados onde a maioria de nós sente a necessidade de ser comandada, de uma voz que nos dê a direção.

Estudos dizem que uma criança de 5 anos já ouviu cerca de 7 mil vezes a palavra “não”, justamente quando está sendo formado seu caráter. Essa negativa é persistentemente dirigida para seu subconsciente. Quando adulto, quando alguma pressão é submetida neste indivíduo, qual a primeira coisa que lhe virá à mente?

Devemos explorar as competências das pessoas, focar nas convergências e não nas divergências, insistir e elogiar o que é positivo para depois corrigir o negativo.

Não é de se admirar que uma pessoa que foi “negativada” a vida toda possa agir de forma diferente quando lhe apresentam uma nova situação. Liderar alguém e esperar os resultados como uma perfeita receita de bolo é a chave para ter sempre a mesma resposta: “De novo comigo?”.

Leandro Machado
Palestrante e consultor
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