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Opinião: Networking - aliado ou vilão?

Caro leitor, você certamente já ouviu falar em Networking, mais um dos termos em inglês que a administração de hoje valoriza (às vezes até demasiadamente), e define o rumo de muitas carreiras de profissionais inseridos no complexo mercado de trabalho atual. Muitos desses profissionais impulsionam suas carreiras por possuírem e cuidarem de suas redes de relacionamento; outros, porém, são apanhados por armadilhas criadas por essas mesmas redes. É por isso que, estando em tamanha evidência e exercendo tanta influência, há de se refletir sobre o tema e passar a inseri-lo, sim, em seu planejamento de carreira. Vamos, portanto, rapidamente, partir do princípio: o conceito de Networking e sua importância.

Rede de relacionamentos é a melhor tradução profissional para o termo networking. E criar, manter e desenvolver sua própria rede é tão relevante, que a psicóloga especialista em carreer transition, Elaine Saad, afirma que "networking é vital para o sucesso. [...] Sem ele simplesmente não vendemos nem nos perpetuamos". E os números ratificam essa perspectiva. Segundo o publicitário e economista Tom Coelho, uma pesquisa realizada recentemente junto a 17.801 profissionais indicou que 56% dos cargos operacionais e 43% dos cargos de gerência foram preenchidos com base no QI do candidato. Mas não o famigerado "quociente de inteligência" e sim o "quem indicou". Coelho ainda acrescenta: "networking, relacionamento, estas são as palavras de ordem".

Contudo, cuidar da sua rede de contatos, caro leitor, exige esforço e dedicação. Certa vez um professor meu, apaixonado por marketing de relacionamento que é, disse que separa uma hora no dia, três vezes por semana, exclusivamente para o cultivo de seus relacionamentos, pois entende também ser esse o melhor caminho para o sucesso, que fideliza Clientes, mantém os melhores fornecedores, possibilita as melhores oportunidades.

Agora, se o networking agrega tantos benefícios a quem bem o pratica, qual o viés que pode torná-lo um vilão em sua carreira?

Essa questão nos traz duas possíveis respostas: a primeira armadilha nos afeta quando aceitamos a mudança de um emprego, por exemplo, apenas pela confiança que depositamos em quem nos indicou, nos fazendo criar uma esperança de uma progressão, vislumbrar uma situação futura mais favorável, seja financeiramente ou por ganho em qualidade de vida, e não estudamos a empresa (ou novo departamento) para a qual vamos atuar. Isso logo causa um impacto de possíveis divergências entre valores pessoais e empresariais, falta de plano de carreira, etc. Ou seja, objetivos conflitantes entre a pessoa e a empresa.

A segunda possível resposta parte do lado da empresa selecionadora. Diretamente dependente do nível de profissionalismo e competência dos profissionais de RH, e da maturidade da empresa ao definir suas políticas de seleção de pessoal, o networking pode fornecer à empresa informações preciosas e isentas, para uma escolha justa e imparcial, ou pode fazê-la preterir um candidato melhor preparado em favor de outro que possua o tal QI mencionado "mais forte".

Por fim, o networking faz parte hoje da inteligência estratégica de profissionais e empresas. Saber utilizá-lo de forma efetiva vai além de ser preferido em uma entrevista de seleção. Significa construir oportunidades, adquirir conhecimentos, ampliar horizontes, agregar valor, qualidade e, conseqüentemente, bons resultados em seu trabalho.

Assim, ávido leitor, o networking pode ser considerado como vilão? Pode. Apenas para os despreparados e que não buscam se aprimorar, e àqueles que preferem estar alheios ao movimento do mundo corporativo de sucesso. Portanto, se você é pró-ativo e tem espírito empreendedor, planeje com cuidado sua carreira, e, da mesma forma, envide esforços para manter uma firme e produtiva cadeia de relacionamentos.

Quer experimentar? Deixe seu comentário e compartilhe sua preciosa opinião!

Bruno Mathias
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Especializado em Gestão de Pessoas e Gestão de Negócios, formado em Administração de Empresas, é também professor dos cursos de MBA da universidade Camilo Castelo Branco, em São Paulo.

Referências

COELHO, Tom. O peso do QI na recolocação profissional. Disponível em http://www.rh.com.br/ler.php?cod=4346&org=3, acesso em 12/03/2008.

SAAD, Elaine. Empregabilidade in Manual de Gestão de Pessoas e Equipes: Operações. V. 2. São Paulo: Gente, 2002.